Doença pode ser evitada se as pessoas tomarem três doses de vacina
Por ser uma doença silenciosa, ou seja, manifestar-se num prazo de 20 a 30 anos, a hepatite B aterroriza não somente quem tem contato com a doença ou com o paciente, mas também os hepatologistas, que insistem nas possibilidades de prevenção da doença. Em decorrência da falta de informação, os brasileiros sequer conhecem o Programa de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, implantado em 2002, que oferece a vacinação gratuita em postos de saúde para jovens até 19 anos. Esta e outras preocupações foram debatidas durante o 9º Simpósio Internacional de Terapêutica em Hepatite Viral, realizado em julho, em Salvador (BA).
Segundo Raymundo Paraná, hepatologista e coordenador do evento, a hepatite B tem uma diversidade regional, o que dificulta as formas de enfrentamento da doença. “Além disso, é muito comum a concentração do saber nas mãos de especialistas das regiões Sul e Sudeste, sendo que a doença é endêmica em outras áreas, especialmente no Norte do país.”
Atualmente, o hepatologista ressalta que há 25 mil pessoas com hepatite crônica em tratamento no país, sendo que a expectativa é de que 4 milhões de pessoas tenham a doença. Embora seja assintomática, o que deve ser observado são sinais como o escurecimento da urina, náuseas e olhos amarelados. “O vírus é curiosíssimo. No geral, a doença se instala, preservando a máquina celular do hospedeiro. O problema é que o fígado tolera o vírus durante décadas numa espécie de santuário genético”, explica. “Em determinado momento, o sistema imunológico acorda e começa a combater o vírus e, conseqüentemente, a lesionar o fígado.”
Paraná sugere que todas as pessoas façam exames de sangue para detectar se estão ou não com hepatite, porque se o resultado for negativo, a vacina, dividida em três doses, é totalmente eficaz. “Infelizmente, muitas pessoas acham que tomando apenas uma das doses estão imunizadas, o que não é verdade.” Entre as conseqüências, ele aponta a fibrose e, em casos mais graves, a cirrose crônica.
O tratamento é feito à base de medicamentos como os imunomoduladores (interferon ou interferon peguilado) ou os nucleosídeos análogos (lamivudina, adefovir e entecavir). “O entecavir se mostrou o medicamento mais adequado por apresentar um perfil maior de resistência. Em quatro anos de uso, não houve resistência e, a partir da segunda semana de uso, há redução das cargas virais. Apesar disso, ele não pode ser usado em pacientes que já tenham se submetido à lamivudina, porque causa resistência cruzada.”
Entre os fatores de risco, ele cita as relações sexuais sem preservativos, responsáveis por 70% dos casos, além do risco de contaminação por drogas injetáveis e inaláveis, tatuagens e tratamento dentário por pessoa não habilitada.
• Subeditora viajou a convite da Bristol-Meyers Squibb
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Pesquisado do site Saude Plena

Nosso blog-site a partir deste mês será temático…Escolhemos a Hepatite B como tema para fevereiro…
